| "Uma das questões fascinantes na actualidade consiste na discussão sobre se as pessoas serão um “recurso escasso” ou abundante. Esta questão é de somais para, aparentemente, muitos economistas que parecem perfilhar a visão da abundância. E, nesse quadro, as pessoas serão uma variável menor, quase despicienda no sistema económico, daí decorre que o “equilíbrio” nos mercados de trabalho se produza a salários cada vez mais baixos em que o valor do trabalho se deve aproximar do valor marginal da produtividade do esforço humano. A outra variável, o capital, parece colher o favor do mundo dos economistas que entrementes se destacaram por elogios poéticos um pouco estranhos à sua habitual fraca imagética e ao seu ainda mais habitual apreço pela religião da “eficiência”. Mas ao sistema financeiro parece estar reservado todo o esforço de adjectivação positiva. Desde o bucólico conceito de “seiva do sistema económico” ao mais futurista “óleo da máquina do progresso e crescimento”, o sistema financeiro e o seu expoente do Banco de investimento que rasga horizontes com a sua constante “inovação” em produtos exóticos é, nestes tempos, a razão última e medida das coisas. Por mim acho que as pessoas são um recurso simultaneamente escasso e abundante. Um delicioso paradoxo, e como todos os paradoxos um constituinte fantástico da nossa vida comunitária que se estenderá por fronteiras mais ambiciosas que as do sistema económico. As pessoas são as criadoras dos problemas e das soluções, são as que permitem às organizações os mecanismos adaptativos sem os quais se tornariam rapidamente obsoletas. As pessoas são as que possuem o conhecimento necessário para a recuperação do paraíso perdido ou para a construção dos infernos do quotidiano. Qualquer que seja o futuro que estamos ou temos de construir a pedra de toque são os elementos humanos. A tecnologia e o capital são elementos vitais mas não nos esqueçamos que a diferença entre o ebitda positivo e negativo apresenta maior correlação com empenho das pessoas do que com o custo de oportunidade do capital. E, ao pequeno almoço a cultura devora a estratégia. Everyday…" |